29.09.2026
Quando começa a primeira inseminação da estação de monta, uma parte importante das condições que poderão determinar o resultado reprodutivo do rebanho já está definida. Condição corporal e reprodutiva das matrizes, nutrição, sanidade, fertilidade dos reprodutores, qualidade e manejo do sêmen e preparo das equipes são variáveis que precisam ser avaliadas antes da abertura da janela reprodutiva.
O planejamento ganha importância porque, depois de iniciada a estação, diminui progressivamente o tempo disponível para identificar desvios, realizar ajustes e oferecer novas oportunidades às fêmeas que não emprenharam.
Para Luiz Fidelis, coordenador técnico-comercial da IMV do Brasil, a preparação deve anteceder o primeiro protocolo.
“A estação de monta não começa no dia da inseminação. Quando o primeiro protocolo é iniciado, uma parte importante das condições que vão influenciar o resultado já deveria estar ajustada. É preciso saber quais matrizes estão aptas, como está sua condição corporal e sanitária, quais reprodutores serão utilizados e se a equipe está preparada para executar cada etapa corretamente. Depois que a estação começa, a janela para corrigir falhas fica cada vez menor”, afirma.
Na prática, isso significa olhar para o sistema reprodutivo de forma integrada. Disponibilidade e qualidade dos alimentos, aptidão reprodutiva dos touros, armazenamento e manipulação do sêmen, execução da inseminação e acompanhamento dos indicadores precisam fazer parte do mesmo planejamento.
A taxa final de prenhez é um dos principais indicadores dos resultados da estação, mas não é o único. O momento em que as gestações são estabelecidas também ajuda a avaliar a eficiência reprodutiva.
Nesse contexto, estratégias de ressincronização vêm sendo utilizadas para reduzir o intervalo entre as oportunidades de inseminação das fêmeas não gestantes.
Em estudo conduzido com participação do grupo de pesquisa do professor Guilherme Pugliesi, da Universidade de São Paulo (USP), 760 vacas e 498 novilhas Nelore foram submetidas a duas ressincronizações consecutivas, possibilitando a realização de três inseminações artificiais em tempo fixo (IATFs) em 48 dias.
Após as três inseminações, a taxa acumulada de prenhez chegou a 83,3% nas vacas e 77,3% nas novilhas.
Uma revisão publicada pelo mesmo grupo em 2024 mostra a evolução dessas estratégias. O trabalho aponta que protocolos de ressincronização precoce permitem realizar três IATFs em até 64 dias, com taxas acumuladas de prenhez reportadas de até 87,8%.
Nas estratégias de ressincronização superprecoce associadas ao diagnóstico por ultrassonografia Doppler, o intervalo entre inseminações em bovinos de corte pode ser reduzido para 21 a 24 dias, possibilitando três IATFs em 48 dias.
Os resultados não devem ser interpretados como uma expectativa única para diferentes propriedades e condições de manejo. Eles demonstram, entretanto, o impacto que diagnóstico e tomada de decisão em intervalos menores podem exercer sobre o aproveitamento da estação reprodutiva.
“Não basta saber quantas fêmeas emprenharam; também precisamos saber quando isso aconteceu. Quando identificamos cedo as fêmeas não gestantes, ainda existe tempo para oferecer uma nova oportunidade e, ao mesmo tempo, investigar onde estão os desvios. Matriz, sêmen, protocolo, execução e manejo precisam ser avaliados enquanto ainda há tempo para agir dentro da própria estação”, explica Fidelis.
A eficiência reprodutiva não depende somente das condições das matrizes. Touros e sêmen representam outra parte das variáveis que podem ser avaliadas antes e durante a estação de monta.
Na inseminação artificial, fatores como qualidade da dose, armazenamento, manipulação e descongelamento do sêmen, além da própria técnica utilizada pelo inseminador, podem interferir no resultado.
Na monta natural, a avaliação prévia dos reprodutores também exerce papel importante. O exame andrológico permite avaliar a aptidão reprodutiva dos touros e identificar alterações capazes de comprometer seu desempenho durante a estação.
“Na inseminação artificial, qualidade da dose, armazenamento, manipulação e descongelamento do sêmen, além da própria técnica de inseminação, podem influenciar o resultado. Já na monta natural, o exame andrológico permite avaliar previamente a aptidão reprodutiva dos touros e identificar alterações capazes de comprometer seu desempenho durante a estação”, afirma Fidelis.
O avanço das tecnologias aplicadas à reprodução bovina também aumentou a quantidade de informações disponíveis para acompanhar a estação de monta.
Ferramentas voltadas à avaliação e ao processamento seminal, conservação das doses, inseminação e diagnóstico reprodutivo podem auxiliar técnicos e produtores a identificar problemas e tomar decisões em intervalos menores.
Para Fidelis, porém, tecnologia e manejo não devem ser tratados como elementos substitutos.
“Tecnologia não corrige uma matriz mal preparada, um sêmen mal manejado ou uma falha de execução. O valor dela está em aumentar nossa capacidade de entender o que está acontecendo, identificar problemas mais cedo e tomar decisões enquanto ainda existe tempo para interferir no resultado da estação”, conclui.
Ataíde Júnior, G.A. et al. Early resynchronization of follicular wave emergence among Nelore cattle using injectable and intravaginal progesterone for three timed artificial inseminations. Animal Reproduction Science, 2021.
Pugliesi, G. et al. Evolution over the last 40 years of the assisted reproductive technologies in cattle – the Brazilian perspective for embryo transfer and resynchronization programs (part II). Animal Reproduction, 2024.
Documentação técnica do portfólio bovino da IMV Technologies.